sábado, 18 de fevereiro de 2017

Por que os eleitores não elegeram um vereador da juventude?



Por Vinicius Prado, Rogério Júnior e Paula Morais

As eleições 2016 ficaram para trás, mas ainda hoje, muitas pessoas, algumas delas ligadas a grupos políticos. se perguntam o motivo de ninguém da juventude ter se elegido. Segue a opinião de dois colunistas do Ribeirão Pires de Fato sobre o assunto.

Recentemente, na cultura política brasileira, os partidos começaram a introduzir pautas da juventude em suas ações, prioritariamente, quando eleitos para cargos do poder executivo.
Assim, se criou, na maioria dos partidos, a ala jovem, que carrega além da sigla do partido, algum nome ligado à renovação, atitude e juventude.

Em Ribeirão Pires não foi diferente, muitos partidos lançaram seus presidentes/representantes jovens em candidaturas para o legislativo. Alguns candidatos tiveram votação expressiva, outros decepcionaram os líderes partidários, apoiadores e até investidores.

O PRB, partido do ex-prefeito Luiz Carlos Grecco, lançou a candidatura do jovem de 28 anos Marcos Brito, que teve no dia 02 de outubro, 351 votos, ficando na 46ª posição na colocação geral. Por sua vez, o PR, coligado ao segundo colocado ao executivo, Dedé da Folha (PPS), lançou Leonardo Biazzi, jovem de 25 anos, presidente do ala jovem do PR, que conquistou 287, ficando na 61ª posição.

Por sua vez, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), partido do vice-prefeito vitorioso nas eleições de 2016, Gabriel Roncon e também partido da base aliada do prefeito eleito Kiko Teixeira (PSB), colocou na disputa o jovem professor universitário Marco Bellan Ohmori, de 29 anos e que foi o candidato da juventude mais bem votado das eleições proporcionais, alcançando 396 votos, terminando na 35ª posição.

Já o Partido Socialista Brasileiro (PSB), partido que elegeu a maior bancada e que venceu as eleições para prefeito, colocou, entre os jovens, Gustavo Tomaz, de 25 anos na disputa por uma vaga na câmara municipal, mas sua votação não passou dos 150 e amargou a 142ª posição.

Para a estudante de Ciências Sociais, Paula Morais, o motivo de não terem sido eleitos representantes da juventude "é a falta de legitimidade dos jovens na política. Nós sabemos que outros nomes da juventude também disputaram uma das 17 vagas para a câmara, municipal, mas os nomes acima eram os mais falados durante a campanha. Acredito que seja culpa dos partidos também, eles investem pouco nos jovens se comparado ao tamanho do discurso de renovação".

Na análise feita pelo estudante de Ciência Política, Rogério Júnior, "os jovens sofrem com a falta de confiança de grande parte da sociedade. Num momento de grande instabilidade política como o atual, é difícil as pessoas confiarem em caras novas, até porque o discurso predominante é de que os novos são mais suscetíveis à corrupção, o que não é verdade". 

No caso das campanhas, ressalta, ainda, o investimento individual: "é fácil de analisar, você tem um candidato como o Bellan, como descrito na matéria, professor universitário, reside na cidade desde a infância, estudou nas escolas da cidade e leciona na cidade ainda hoje, logo, é claro que, com um pouco de investimento, terá uma votação maior que os demais citados. Mas vamos além, o Marcos e o Leonardo, que em termos de história municipal também são filhos da cidade, por exemplo, você não via carros de som e nem muitas pessoas em seus grupos de campanha e eles foram bem votados. Isso difere, tanto os dois, como o Bellan, do Gustavo. Ele teve uma campanha com algum investimento, via-se carros de som circulando e até bandeiras do candidato e ele teve uma votação muito abaixo do esperado, mas isso devido a outros fatores, como por exemplo não ter estudado na cidade e nem residir em Ribeirão há muito tempo, como contam pessoas do próprio grupo dele".

Em suma, o que fica para os futuros candidatos é que prestem atenção em demandas importantes da cidade e que se preparem bem para disputar cargos eletivos, pois hoje em dia a sociedade se cansou de rostos novos que muitas vezes representam mais do mesmo.

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